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sábado, 13 de julho de 2013

Coração com hipertrofia: doença tem difícil diagnóstico e causa é genética


A vida esportiva dos portadores deve ser definida com o seu afastamento 
das competições, provas e de exercícios mais intensos para evitar riscos




Por São Paulo
Coração dor no peito (Foto: Getty Images)Hipertrofia no coração: doença tem causa genética
e é de diagnóstico difícil (Foto: Getty Images)
Bem, vamos esclarecer agora uma pergunta que recebi: o que é coração com a doença miocardiopatia hipertrófica. Numa coluna anterior, explicamos que o coração do atleta tem aumento das espessuras do seu contorno chamado de paredes cardíacas e das cavidades (os ventrículos) direito e esquerdo, até certo tamanho fisiológico. Mas, quando ultrapassam os limites, poderemos estar diante da miocardiopatia hipertrófica em vez do coração de atleta.
Essa doença é de causa genética (mutação) e pode ser transmitida aos descendentes. A dificuldade é diferenciar o normal do anormal mesmo baseado em exames e na experiência do cardiologista. Segundo a recente Diretriz em Cardiologia do Esporte e do Exercício, das Sociedades Brasileiras de Cardiologia e de Medicina do Esporte, necessitamos da consulta clínica, eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e até ressonância magnética do coração para podermos fechar um diagnóstico. Certos casos são considerados difíceis e aí podemos tentar diagnosticar pelo mapeamento genético (difícil e caro) mas que se positivo confirma o que deve ser.
O problema mais frequente hoje em dia é que alguns diagnósticos por não seguirem a Diretriz e confundem coração de atleta normal e fisiológico com o de uma miocardiopatia, ou até pior, o inverso. Evidente que não existe certezas definitivas em medicina e muitas vezes a doença está no seu início e aí se confunde com o coração de atleta por não ter ultrapassado os limites ainda, por isso o acompanhamento médico periódico pode ajudar a esclarecer . Outra maneira de chegar ao diagnóstico é o afastamento das atividades físico/esportivas por 90 a 180 dias, se o coração diminuir de tamanho , provavelmente ele era de um coração de atleta e caso não se modificar ou continuar a aumentar de tamanho então é provável que seja o da miocardiopatia.
Podemos dizer que hoje já temos algumas opções de tratamento clínico, de intervenção, com dispositivos como o marca passo, de cirurgia cardíaca e o de cateterismo com alcoolização de pequenas artérias coronárias. A vida esportiva dos portadores da doença deve ser muito bem definida com seu afastamento das competições e de exercícios mais intensos, na verdade cada caso deve ser visto individualmente e a conduta também personalizada para evitar riscos.
Mais uma vez, ressaltamos que esportes e atividades físicas feitas com orientação, dentro dos limites de cada um e regulares não causam danos ou mortes, que só acontecem com usos de drogas proibidas , as lícitas como os anabolizantes, alguns energéticos estimulantes, excessos esportivos descontrolados, doenças não diagnosticadas ou não valorizadas pelos seus portadores. Pratique atividades físicas sempre com qualidade e em qualquer idade.
Nabil Ghorayeb (Foto: Editoria de Arte / EUATLETA.COM)

terça-feira, 9 de julho de 2013

Coração de atleta: excesso de treino pode causar problemas cardíacos



Lado cardiovascular do overtraining é objeto de estudo médico há anos




Por São Paulo
Corrida de rua - corredor cansado - cansaço (Foto: Arte/TVCA)Corridor cansado: excesso de treinamento pode
acentuar problemas cardíacos (Foto: Arte/TVCA)
Uma guia publicado no Eu Atleta explicou o chamado “Overtraining e seus efeitos: cuidado para não exagerar nos treinamentos”, bem claro em relação ao aparelho locomotor e que pode acometer um atleta ou um esportista amador. O lado cardiovascular desse problema é objeto de estudos médicos há muitos anos. No Brasil, preferimos chamá-la de Síndrome do Excesso de Treinamento (SET) cardiovascular. O que seria isso? É o estado que fica o organismo ao sofrer uma redução crônica no desempenho e na capacidade de treinar, geralmente observado após desequilíbrio entre a intensidade\volume de treino e o período de recuperação.
Chamamos de coração de atleta aquele coração adaptado e crescido, encontrado numa pessoa que treina regularmente. No século XVII foi feita a primeira observação de que a atividade física intensa modificava o tamanho do coração e a primeira descrição médica detalhada do chamado Coração de Atleta, ocorreu logo após a primeira Olimpíada da era moderna em 1896, em corredores de esqui “cross-country” na neve. Nos últimos anos, apesar da polêmica quanto ao seu caráter benigno ou não, das várias alterações, foram definidas algumas características do coração de atleta como fisiológicas:
1 - frequência cardíaca por minuto (pulsação) menor do que de um sedentário;
2 - maior consumo máximo de oxigênio (VO2) no atleta, comparado com indivíduo sedentário;
3 - dilatação e hipertrofia cardíaca. A elevada intensidade e grande duração dos estímulos ao aparelho circulatório, num exercício contínuo, com a pulsação cardíaca perto da máxima suportada, superando os limites fisiológicos seguros e aceitáveis do treinamento, podem causar danos cardiológicos, bem diferentes das citadas alterações fisiológicas e benignas de um coração de atleta.
Pesquisas sobre os efeitos no aparelho cardiovascular, do intenso treinamento físico sem orientação profissional, nos mostram os sinais e sintomas mais visíveis:
- irritabilidade incomum,
- auto cobrança de melhor performance mesmo quando já conquistada,
- insônia,
- fadiga não usual em exercícios habituais;
- pulsação persistentemente elevada na faixa de 100/min, mesmo no descanso (sono/repouso);
- deficiente retorno da pulsação aos níveis do repouso, até depois de uma hora;
- discreto inchaço nos tornozelos;
- presença de perigosas arritmias cardíacas.
Acredita-se que o excesso de treinamento é o provável causador das disfunções cardíacas, ou seja, a “fadiga” extrema do coração, detectada nos exames como arritmias num coração aparentemente normal. É causado por alterações do sódio e do potássio, persistente aumento da adrenalina circulante (catecolaminas) e o importante e perigosa diminuição da imunidade desse atleta, facilitando ser infectado por uma virose ou outras infecções. Ao contrário do que se imagina, quem exagera malhando demais e sem orientação, se torna vulnerável à várias infecções.
Os efeitos desses excessos para o aparelho cardiovascular, são terríveis para a performance e para a saúde. O tratamento começa pelo total afastamento dos treinos e outras medidas já citadas no artigo anterior. A grande dificuldade ainda está em definir com exatidão, qual o limite fisiológico seguro de um esporte para o coração sadio de um atleta. Mas uma planilha bem elaborada pelo educador físico faz a diferença entre um bom e efetivo treinamento, da Síndrome do Excesso de Treinamento.
Colaborou Dr. Renato Kalil Uehbe (Residente de Medicina do Esporte)
* As informações e opiniões emitidas neste texto são de inteira responsabilidade do autor, não correspondendo, necessariamente, ao ponto de vista do Globoesporte.com / EuAtleta.com.
Nabil Ghorayeb (Foto: Editoria de Arte / EUATLETA.COM)

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